Olá,
antes de mais, excelente ideia, logo no 1ºdia em que joguei M&B pensei que era o jogo perfeito para simular a Reconquista.
Sou licenciado em História e tenho uma extensa bibliografia a que posso aceder.
Se vão simular o séc XIII, lembrem-se que aqui na Peninsula a armadura mais pesada e mais cara era a cota de malha (loriga) até ao séc XII, cabeça,corpo pés e mãos, e os capacetes no máximo eram capelos (guard helmet, de metal ou couro fervido), só no séc XIII é que aparece o cuir builli e os helmos fechados, exclusivos dos cavaleros (great helm, 1220 e 1231 na Peninsula, num selo de Fernando III), que desenvolve a heráldica nos escudos, visto que a cara do cavaleiro ficava coberta e era indispensável reconhecer o cavaleiro.
Plate armour estaria fora de questão, só aparece muito mais tarde. O séc XII é a época de ouro das sobrecotas (coat armour) e no final do XII, na Peninsula, temos as brigandines, lamelares, e coat of plates rudimentares.
Essencialmente, no armamento defensivo, a cota de malha e a brigandina eram a norma para quem podia pagar.
O escudo arredondado era norma no séc XI, o normando no XII e depois, com o desenvolvimento de melhores protecções de pernas, os escudos voltaram a ser mais curtos outra vez, com remate superior recto e e arredondado ou apontado em baixo.
Os muculmanos tinham um tipo de escudo caracteristico, a adarga, pequeno e arredondado, de configuração bivalve (procurem uma imagem de Santiago Mata Mouros na Igreja Matriz de Santiago do Cacém e vão ver) usavam também pequenos escudos arredondados.
A cavalaria, do séc VIII ao séc XI era ligeira, e dispensava armadura, e era típica da guerra de razias e fossados que por cá se fazia (raids, guerrilha, roubos etc, eram raras as batalhas de maior escala), usavam lanças e espadas que se foram tornando cada vez mais compridas. Com a chegada dos francos nos meados do séc XI vem a cavalaria pesada, e com os Almorávidas e Almoadas a infantaria pesada e exércitos enormes.
As armas mais comums eram as lanças, de todos os tipos e comprimentos, excepto a Great Lance, que só aparece nos meados do séc XIV, aliás, o número de homens disponíveis eram contados em numeros de lanças, as maças de todo o tipo e as espadas.
O arco composto (invenção muçulmana) era usado por toda a gente, mouros e cristãos, no séc XII, o longbow britânico, mais potente e de maior alcance, foi usado em raras ocasiões, por ex: Aljubarrota.
A besta, já conhecida dos romanos, reapareceu no séc XI na Peninsula Ibérica, era tão temivel e potente que a principio foi condenada pelo papa Urbano II e depois, no II Concilio de Latrão em 1139, proibiram o seu uso entre forças cristãs, excepto na guerra contra os infiéis :p Já agora, não era fora do comum "ervar as setas e os virotões" ou seja, envenenar, os arcos de ferro nas bestas só aparecem no séc XV, até lá são de madeira reforçada com chifre e corno, tal como nos arcos compostos.
Em relação a Espanha não sei, mas em Portugal, os besteiros passaram a ser a força de infantaria mais importante ainda no tempo da regência de D.Teresa, sendo equiparados a cavaleiros-vilãos nos forais, com igualdade de previlégios em muitos casos, tendo o seu auge no reinado de D.Dinis com o Conto dos Besteiros, os muçulmanos raramente usavam a besta, preferiam o arco composto.
Arco, 10 a 12 setas\minuto - tiro de balistica menos preciso, exclusivo da infantaria a partir do séc XI, usado em grupo, de modo a formar nuvens de setas.
Besta, 2 virotões\minuto - muito precisa, alcance 200 a 300 metros, mortal a partir dos 75 metros
A armadura de cota de malha nos cavalos é perfeitamente plausivel a partir do séc XII, mas muito limitada devido ao seu preço.
Mais uma vez, desconheço a realidade Espanhola, mas Portugal era um dos territórios mais bem defendidos em termos de fortificações, torres de vigia etc, era a chamada defesa em profundidade, cada castelo, fortaleza podia comunicar com a próxima através de sinais de fumo\chamas, todos os habitantes deviam participar nas razias, fossados e defesa de alguma forma, e normalmente as guarnições dos castelos eram pequenas, é essa a razão dos castelos, proporcionar uma defesa efectiva com poucos homens de armas, cuja manutenção era muito dispendiosa. Esta guerra de defesa e raids de pilhagem (de maior ou menor escala) era o motor da economia, era a actividade corrente fora da época das colheitas, mas depressa passou a guerra de cerco no séc XI.
Como já referiram, é essencial retratar o papel fundamental das Ordens militares e dos municipios na Reconquista.
Espero que este projecto vá em frente, é uma parte muito importante da história que ainda está muito mal retratada em jogos,
infelizmente sou um tosco com programas 3D e afins, embora estes fórums estejam cheios de malta que sabe muito do assunto, mas qualquer pesquisa histórica, etc estou disponível no msn: d_pedro at hotmail ponto com